Aqui é um lugar onde faço algumas reflexões sobre temas da atualidade e as divido com meus visitantes que são bem vindos a comentarem abrindo um diálogo que busca ser enriquecedor para todos.
sábado, 26 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
Reflexões em EAD
Especialização em Ensino de Línguas Mediado por Computador (ELMC) Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Tópico 8: ABE-EAD.
Aluno: Irineu Cruzeiro Neto
Profª: Ana Cristina Fricke Matte
- o estudante de EAD é estigmatizado no meio em que você vive? Como?
- a ABE-EAD é um espaço importante para o estudante de EAD? Porquê?
- o professor deve ou não incentivar seus alunos a conhecerem a ABE-EAD? Que efeito isso poderia provocar em suas aulas?
O preconceito quanto a alunos de cursos a distância deve ser avaliado sob diferentes prismas e pela historicidade - várias são as causas de preconceitos. Começamos pela própria modalidade atual de EAD, que apesar de ser totalmente diferente, insiste em se comparar aos antigos cursos por rádio, televisão e correspondência que não se configuravam como “Educação a Distância”, sendo os últimos considerados por alguns como mentirosos e oportunistas (é, isso sempre existiu e sempre existirá) que cumpriam muito menos que o prometido. Anunciavam maciçamente em todas as revistas do país, inclusive nas infantis. Você conhece algum bom profissional formado em curso de correspondência (através de textos, gráficos e figuras)? Em meus 46 anos de vida ainda não conheci nenhum e penso que se há, são certamente pouquíssimos autodidatas que pouco aproveitaram do material que lhes fora vendido e que hoje se encontram tão acessíveis a algumas investidas do teclado de um computador conectado a Internet gratuitamente. Quanto aos formados pelo rádio e televisão prefiro nem questionar muito já que sempre foram especulados os empregos de volumosos recursos investidos por um finado grande empresário do maior canal de televisão do país que recebia todo o dinheiro de volta através da sua fundação ligada ao governo federal militar, em forma de incentivos fiscais e que sempre fora criticado por não ter nada de melhor para apresentar na TV naquele horário em que a maioria dos brasileiros ou dormiam ou estavam de saída para seus empregos.
A modalidade de EAD, surgida a partir do advento e popularização da Internet é a reconhecida oficialmente pelos órgãos governamentais. Conforme declarei em outro trabalho é uma modalidade nova, ainda em crescimento e desenvolvimento e é tão solicitada pelo mercado de trabalho. Na sua juventude conta ainda apenas com os antigos professores (ou seus recém-graduados pupilos) acostumados à modalidade presencial que buscam incansavelmente a passagem de uma modalidade a outra que traga características próprias que ainda estão sendo desenvolvidas.
Quase tudo da EAD hoje é ainda fruto da modalidade presencial e a linha entre modalidade virtual e uso de novas tecnologias na educação presencial é muito tênue, ameaçando a consolidação da mesma que culmina com a criação de uma ainda mais jovem modalidade, a semipresencial. Que ironicamente é a comunhão das duas anteriores.
Considerando ainda os traços culturais brasileiros e as ideias instituídas pelas classes sociais dominantes para desqualificarem uma modalidade “à distância” com a ideia de que se não “vai” à escola a mesma não pode existir, eu diria que o aspecto cultural é o que mais castiga a EAD. A nossa nova sociedade ainda não se desprendeu de muitos valores, mitos e crenças instituídos pela elite e pelos governos opressores na sociedade. “Deus não dá asas a cobra...”, “pau que nasce torto nunca se endireita...”, “pobre só vai pra frente com um chute na b...”. São pensamentos incutidos. A renovação da mentalidade social é a mais demorada, conforme prevera Tancredo Neves. Mas a assimilação do mercado de trabalho aos profissionais da nova modalidade de ensino é franca e perceptível, apesar das categorias não terem ainda seus direitos e salários asseguradamente justos. Se a modalidade à distância fosse tão antiga os salários há muito já seriam definidos e os profissionais sindicalizados e reconhecidos oficialmente.
Acho que o tempo tem se apresentado como o melhor remédio para tal situação de preconceito e a cada dia as pessoas percebem e aprendem mais sobre as possibilidades do ensino aliadas às benesses proporcionadas pela Internet na educação. Até mesmo no ensino de línguas ainda há incrédulos que ainda estão se apercebendo, apesar de toda a literatura e experiências disponíveis.
Mais do que objetivo, mas como missão, a ABED "visa estimular a prática e o desenvolvimento de projetos em educação a distância em todas as suas formas e incentivar a prática da mais alta qualidade de serviços para alunos, professores, instituições e empresas que utilizam a educação a distância". Com nobres ideais e com grande envolvimento em sua missão a instituição promove os mais diversos eventos de formação e conscientização cientes dos obstáculos culturais que acima mencionei. Realiza a avaliação do trabalho de seus associados buscando garantir maior qualidade à EAD no Brasil.
Penso que todos os envolvidos nos processos de EAD no Brasil hoje devem se filiar à ABED tanto para estimular a regulamentação quanto para apoiar esta instituição tão necessária à luta pelos direitos dos profissionais e pela qualidade de EAD em nosso país.
Termino esclarecendo que, apesar da linguagem militante adotada neste artigo, não comungo do pensamento político comunista e que tenho certeza que em pouco tempo a aceitação da EAD no Brasil alcançará patamares mais aceitáveis, com seus próprios méritos conquistados por resultados positivos e muito trabalho para os implantadores desta nova e promissora modalidade de ensino.
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